Lançamento de “Araceles: menina toco, menina boto”

Livro infantil celebra os encantos e os saberes do Rio Xingu

O Instituto Eqüit tem o prazer de apresentar nossa mais nova publicação, uma obra inspirada numa história real e que convida crianças e adultos a mergulharem nas encantarias do Rio Xingu através da história da infância de Araceles – hoje mãe Nayara do Ylê Ogum Beira-Mar – atravessada pelas dificuldades e aventuras derivadas de sua imensa sensibilidade espiritual. A narrativa se passa no Pará, entre os municípios de Souzel e Porto de Moz e busca trazer, através das visões e viagens de Araceles pelo fundo do Rio Xingu, um pouquinho de magia e a compreensão de que as culturas locais tradicionais têm muitas vezes, um papel fundamental para os biomas e a vida abundante na terra. Repleta de poesia e sensibilidade, a obra celebra a estreita relação entre a religião de matriz africana (e as culturas tradicionais nos territórios de modo geral) e o mantenimento da floresta de pé e vice-versa, celebrando com delicadeza a força e centralidade das culturas para o fortalecimento das comunidades mas também da biodiversidade, fortalecendo os vínculos com o território. Repleto de poesia, sensibilidade,

O livro integra as ações do projeto Na Piracema das Mudanças Climáticas: mulheres e jovens na Amazônia nadando contra a corrente que buscou, através da arte e de artistas dos territórios de ação do projeto (Altamira, Imperatriz e Manaus), debater, visibilizar e politizar a emergência socioclimática, destacando que esta não é um problema, de fato, climático, mas antes, uma questão econômica, e que essa entendimento, essa ressignificação precisa contar com a arte a cultura enquanto frutíferos campos de disputa do real e suas mil possibilidades…

Elaborado a partir de diálogos e entrevistas com mãe Nayara e a colaboração de Eneida Melo nesse processo (coordenadora local do projeto Na Piracema), o livro contra também com as ilustrações de Ávilla Duarte, talentosa artista visual altamirense que participou do projeto de que este livro faz parte. Lucía Santalices, além de coordenadora geral do projeto, foi quem teve a ideia e iniciativa de transformar essa história fantástica em livro infantil e decidiu colocá-lo realmente no papel:

– Quando ouvi a história da mãe Nayara percebi que estava tudo ali,  a relação íntima e fértil entre natureza e cultura era explícita naquela linda história, pois como bem enfatiza a própria mãe Nayara, se os rios ficarem poluídos e derrubarem as matas, os encantados vão-se embora e, nesse caso, para quem vamos cantar? Acredito que a cultura é a natureza humana; então, plantemos arte!

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Boa leitura!